Um olhar sobre o texto "Animação Cultural" de Vilém Flusser

Um dos pontos que mais me chamou atenção na publicação de Flusser, sem dúvidas, foi a relação inversa da programação homem-objeto: muitos ainda não se dão conta de como os objetos, inicialmente frutos da criação humana, são responsáveis por programar e animar a vida de todos. É comum pensar que a tecnologia existe para assistir-nos em nossas atividades, no entanto, tal cenário vem mudando. É percebido que até o nosso comportamento atual é condicionado, por exemplo, pelos aparelhos eletrônicos e, sendo assim, nos deparamos com uma sociedade tomada pelo consumismo, cuja vida e as relações pessoais são regidas pelo advento dos objetos.

Já o segundo, mas não menos importante, aspecto que notei diz respeito à dimensão cultural e como a sociedade coloca em risco a própria cultura ao encará-la como um conjunto de bens e não mais como uma "realidade lúdica", que foi construída ao longo da história. Essa realidade também é composta, sobretudo, pelos objetos e pode se relacionar tanto com os fenômenos inanimados quanto com os animados. É importante que se compreenda tal relação de dualidade - o olhar antropológico e o materialista - da cultura para que a sua desvalorização possa ser combatida.

M
e vali do posicionamento de mais dois colegas para complementar e também encerrar as minhas ideias acerca do tema. A primeira abordagem basicamente exemplifica o fenômeno da autonomia dos objetos sobre os seres humanos, onde, no contexto da primeira Revolução Industrial, a máquina passa a definir o ritmo de trabalho nas fábricas e o relógio passa a definir o ritmo nos demais âmbitos da vida.

Diferentemente da segunda, que observa as formas da denominada "arquitetura hostil" como  método de exclusão dentro das cidades. Uma variedade de objetos e materiais são usados junto ao mobiliário urbano de modo a dificultar ou até mesmo impedir a permanência de indivíduos em determinados locais. É essencial ressaltar que não se trata apenas de objetos condicionando a vida de pessoas em estado de vulnerabilidade, mas que existe um lamentável planejamento formal e institucionalizado a favor da segregação dos espaços e destes indivíduos.

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