A relação entre Vestuário e Arquitetura

Tem sido curioso e inevitável, ao começar a refletir sobre as diferenças compreendidas ente moda e arquitetura, se dar conta de que a relação entre as duas é muito mais estreita do que imaginamos. Nessa lógica, optei por estabelecer tal relação em vez de apenas listar as diferenças existentes entre elas.

A princípio, tanto vestir-se como habitar, mesmo que temporariamente, se demonstraram necessidades intrínsecas ao ser humano desde o nomadismo. É até mesmo possível dizer que tais desejos nasceram e evoluíram juntos durante a história, visto que ambos partem da necessidade de se proteger, abrigar, ou até mesmo de se privar do meio externo. Isso tanto a roupa quanto a arquitetura fazem, ou poderiam fazê-lo, muito bem.

A ação orgânica feita por uma pessoa que veste uma calça ou que entra num hall de um museu pode até ser a mesma, ocupar um espaço delimitado. No entanto, acredito que a diferença esteja justamente na escala dos espaços que são preenchidos. Não nos parece muito usual, a nível permanente e não experimental, a ideia de várias pessoas se instalarem dentro de uma única peça de roupa, e conviver da mesma forma como se estivessem numa sala de estar. Bem como a ideia oposta - de se conceber espaços temporários e customizáveis, assim como convencionalmente são as vestimentas, ou até mesmo de se poder "vestir" um ambiente.

Ambas são vistas como vertentes que desconstroem e separam a arquitetura e o vestuário de seus conceitos mais primários - de edificar e confeccionar. A dimensão do espaço, a escala temporal, e a função social são, portanto, aquilo capaz de separar, ao meu ver, o conceito primário de vestuário (preso ao corpo, mover-se junto a ele) do olhar arquitetônico (relacionar-se no espaço, podendo o corpo circular dentro dele).

Deixando um pouco de lado a atribuição social e dialética, por fim, acredito que o design seja atualmente o campo capaz de unir esses dois caminhos em uma única linha, também, no contexto artístico. Num futuro não muito distante, tendo em vista as novas atribuições compreendidas na função da arquitetura e com o advento da tecnologia, o simples ato de pensar e conceber objetos funcionais poderá unir completamente estes dois conceitos - o de pensar e conceber roupas e ambientes.

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