A Dicotomia do Zero e Um na Arquitetura
Tudo parece mais simples aos olhos do ser humano quando lo é possível inserir as coisas dentro da lógica dos extremos. Como se a complexidade existente fosse ignorada e reduzida apenas ao "sim" ou "não", "positivo" ou "negativo", "certo" ou "errado". Esse contexto é aplicável também no campo da arquitetura, onde a verticalidade monumental dos edifícios é a regra responsável por criar desenhos urbanos verdadeiramente violentos, cuja abertura para a pluralidade de formatos é ínfima. Os espaços periféricos, não visados pelo pensamento acadêmico para a sua concepção, já trazem isso no nome. O zero da história. Ao explorar um pouco mais esta questão, é inevitável que não nos deparemos com as perspectivas de gênero, racial e social - e como elas configuram a realidade de um espaço historicamente doutrinado pelo homem, branco, de elevada condição social, que é a arquitetura.
Tendo isso em vista, é percebido que esse cenário tem sofrido transformações desde o século XX até a atualidade, onde, mesmo que lentamente, as mulheres e os negros vem trazendo diferentes linguagens, abrindo margem para uma produção de espaços e diálogos mais democráticos. E é justamente nesse aspecto que o parecer aqui colocado remete à proposta de Laurie Anderson, sendo o campo da programação digital possível apenas se houver combinações de zeros e uns, coexistentes e capazes resultar numa infinidade de informações. De tal forma, o mundo e as opiniões tornam-se cada vez menos polarizados, sendo que a promoção do diálogo passa a configurar a realidade tangível.
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